Modelo Plus Size - Renata Poskus

Há poucos dias entrevistamos o mulherão Renata Poskus, mostramos para vocês a visão dela sobre o segmento plus e tudo o que ela faz e como ela representa bem esse mercado GG, clique aqui para ver a entrevista completa, foi sucesso! 

Essa semana ela publicou no Blog Mulherão um texto contando como começou a sua carreira de modelo plus size e queremos compartillhar com vocês a trajetória dela como modelo. Segue o texto dela na integra: 

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Pouca gente sabe que muito antes de ser a primeira blogueira plus size do Brasil, sil, sil, antes de criar o Dia de Modeloo Fashion Weekend Plus Size e Loja Mulherãomeu primeiro contato com este mercado foi como modelo plus size.
Eu trabalhava como gerente de uma empresa de assessoria de imprensa e comunicação empresarial quando passei a pesquisar sobre moda plus size. Era apenas uma curiosidade de consumidora. Vi que fora do País era já comum a profissão de modelo plus size e pesquisei se haviam iniciativas do gênero aqui no País.
Vi que havia meia dúzia de modelos (sim, eram pouquíssimas mesmo) que participavam de desfiles em programas de TV e alguns poucos catálogos de moda. E eu queria viver aquilo! Na adolescência tive expectativa de ser modelo, bailarina, atriz e vi finalmente a chance de realizar esse sonho.
Consegui a primeira oportunidade por meio da modelo Simone Fiuza (hoje minha amiga e blogueira aqui do Mulherão). Ela tinha uma agência de modelos chamada GG Glitter. Mandei minhas fotos caseiras e ela me chamou para meu primeiro trabalho, no programa Mulheres da TV Gazeta, desfilando para aKauê. Creio que foi em 2007 ou 2008, não lembro a data direito. Na verdade, eu fui para substituí-la, já que no dia ela teve algum compromisso insubstituível. Mas eu pouco me importei de estar lá tampando buracos. Fiquei feliz à beça por estar ali.
Depois, não surgiram outras oportunidades. Fui considerada muito magra, com meus 72 Kg, 1,72m e manequim 44. Em 2009, crieie o Blog Mulherão onde falava sobre o mercado plus size.  Organizei o Dia de Modelo Plus Size em que fiz junto com minhas leitoras o meu primeiro book fotográfico.
O objetivo do book não era o de ser modelo plus size. Na verdade, eu queria fotos novas para reconquistar um ex-namorado. Naquela época, eu estava bem deprimida e nem lembrava mais do sonho de ser modelo. Veja bem, muitas mulheres querem ser modelo para recuperar a autoestima, mas é justamente o contrário. Você primeiro tem que recuperar a sua autoestima para só então se candidatar a ser modelo.
Eu fiquei morta de vergonha! Não sabia posar, fui orientada por uma modelo plus size profissional (o Dia de Modelo ainda acontece assim, com uma modelo orientando as modelos por um dia nas poses). Mas meu constrangimento era tão grande, que eu tinha direito a 30 fotos, mas só fiz 20.
renata dia de modelo 1
Porém, depois, amei o resultado. Aquilo mudou minha visão sobre mim. Divulguei minhas fotos na internet e, logo em seguida, fui convidada para meu primeiro trabalho fotográfico, pela Carlota-Rio. Eu não fiz sozinha, havia mais duas modelos, o que me deixou mais à vontade.
renata poskus carlota
Olha só como eu ainda ficava tímida e durinha nas fotos:
renata poskus carlota 2
Na mesma época participei de desfiles no Mega Polo 9um shopping atacadista de São Paulo) e em alguns Shopping Centers, sempre por meio de indicações de outras modelos. Fui me soltando, aprendendo a fotografar. Todos os meses fotografava no Dia de Modelo, assim conseguia me analisar, estudar meu corpo, minha fotogenia, postura…. Já desfilar, desfilava bem. Parece que nasci para isso. Acho que os anos de ballet me ajudaram a ter uma boa postura. Fiz mais desfiles para TV, incluindo em canais de oferta, como este abaixo, para a Allure Moda Festa.
Renata poskus allure 1
Vieram muitos outros trabalhos. Inclusive editoriais em revistas como Moda Moldes, Manequim, AnaMaria e Molde e Cia. Sempre indicada por algum produtor de moda que me via pela internet ou que já havia trabalhado comigo, ou alguma modelo, que não podia fazer o trabalho e me sugeria como substituição.
renata poskus 4
No Fashion Weekend Plus Size desfilei na primeira e na segunda edição. Depois, na terceira edição, e dirigindo sozinha o evento, percebi que era inviável produzir um evento deste porte e desfilar para todas as grifes. Não dava para competir com minhas modelos naquela altura do campeonato. Escolhi produzir o evento, eu me destacaria da mesma forma, sem precisar estar na passarela. Descobri que minha verdadeira paixão estava mesmo em produzir, em fazer aquele grande evento funcionar. Eu me sinto poderosa assim! Recentemente, até voltei a desfilar para 1 ou outra grife, para sentir aquele gostinho especial que me dá muita saudade e talvez entre mais vezes na passarela do Fashion Weekend Plus Size. Mas isso não é e nem nunca mais será a minha prioridade.
Renata Poskus 5
Como modelo vieram muitos outros catálogos. La Mafê, Lunender, Duloren(fui a primeira modelo plus size da marca), Marisa, Sol da Barra Biquínis etc. Isso sem contar as coleções que assinei para Marri Gattô e Vislumbre Lingerie… Algumas marcas me contratam como modelo sem saber quem eu sou no mercado plus size, como foi o caso da Duloren e da Sol da Barra Biquinis.
Para me atacar, tem gente que diz que algumas marcas me chamam para fazer seus catálogos só porque eu sou famosa. Mas é claro que sim. E qual o problema nisso? Todo mundo que tem confecção quer vender e se eu for um instrumento para isso, qual o problema? Eu adoro!
 renata poskus lingerie 2
Porém, não corro mais atrás de trabalho. A verdade é que eu não tenho mais paciência para participar de castings em que você tem que passar lá o dia todo sem ganhar um centavo. Não é complexo de estrela, é que sei quanto custa o meu dia, o quanto rendo trabalhando com meus outros projetos em casa e que, às vezes, não vale a pena me matar por um cachê que não paga nem a minha manicure. Hoje a competição é maior, tem várias mulheres bonitas em busca de uma oportunidade no mercado. Sei que sou uma mulher bonita, mas não sou iludida e reconheço que existem outros perfis mais interessantes que o meu.
Também percebi que não posso encher a caixa de mensagens dos meus clientes me oferecendo para trabalho como modelo. O que é melhor, vender uma cota para uma grife participar do Fashion Weekend Plus Size ou estampar o catálogo dele? Eu prefiro a segunda opção.
Além disso, sempre fui sincera com os clientes. Já me convidaram diversas vezes para fazer catálogo de jeans. Mas eu sei que meu bumbum não vende calça. Que mulheres de quadris largos e bumbum grande tornam o produto mais vendável. Eu não me exponho em trabalhos que podem me queimar e queimar o produto do cliente.
Renata Poskus Lunender
Isso quer dizer que nunca mais serei modelo? Não! Isso quer dizer que eu sou feliz sendo ou não modelo, que adoro receber convites para trabalhos e que adoro mais ainda quando posso fazê-los. Fico feliz em saber que beirando os 30 anos realizei meu sonho de modelar e que beirando os 40 continuo na ativa.
Se eu tivesse que começar hoje, sei que encontraria diversas barreiras. Ainda não há agências de confiança, a competição é enorme, os cachês são baixos. Mas se posso dar uma dica é: tente. Eu prefiro sempre me arrepender de ter tentado, do que morrer pensando como teria sido se eu tivesse apostado em meus sonhos.

Fonte: Blog Mulherão

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